sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O meu pequeno adeus


O cheiro das flores, as lágrimas nos olhos, chuvisco lá fora, abraços sentidos e apertados. Saudade. É só o que eu sinto agora. De uma pessoa que foi o meu orgulho de ser. E ser um pouco dela. Essa essência espanhola, com jeito marrento de uma criança. Saudade.
Dos abraços apertados, beijos estalados, crochês e doces, diga-se de passagem, era uma doceira de mão cheia, numa manhã de domingo.

Vontade de ficar no velho porão, brincando com o velho companheiro, e quando eu digo velho, faço jus a palavra. Bororó, -um porquinho de borracha trajado de roupas vermelhas- companheiro de alguns netos, bisnetos e tataranetos.
Falta muita coisa agora. Falta a vontade de acreditar que quem nos unia, se foi. E levou com ela, um pedaço de nós. E deixou conosco o muito dela.
Só o que posso dizer agora é um muito obrigada por ter existido. Por ter sido minha bisavó ainda mais linda com ruguinhas e cabelos brancos, feito neve.

Vá em paz. Eu te amo, desculpa por não ter dito isso antes.

Luto 24/02/11

O morango não mofará.


"Mesmo assim eu não esquecia dele. Em parte porque seria impossível esquecê-lo, em parte também, principalmente, porque não desejava isso. É verdade, eu o amava. Não com esse amor de carne, de querer tocá-lo e possuí-lo e saber coisas de dentro dele. Era um amor diferente, quase assim feito uma segurança de sabê-lo sempre ali."
                                                                (Caio Fernando Abreu)



 Uma pequena homenagem aos 15 anos sem esse lindíssimo.Que se faça presente em cada palavra que por ele foi escrita!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

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E que apesar de todas as vibrações e cobranças,
a pequena menina com olhar de grande mulher,
sábia que só,
sabia...

bem no fundo,
o que tudo queria dizer. 

No seu tempo,
e na sua hora certa, 
ela encontrou seu caminho!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

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Como alguém que abre os olhos numa manhã cinzenta, e ainda assim, espera sempre um dia melhor que ontem.

Abre aspas


                                                     
"- Eu te amo. – ela sorriu, tímida.
- Você me ama?
- Não. - respondeu ele sorrindo
- Todos os que amo vão embora. Eu não suportaria te ver partir."

                          (Caio Fernando Abreu)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

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A maquiagem, o perfume e as expectativas de um sábado à noite, foram ralo abaixo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Eu, eu mesma e minhas pantufas.

Eu calço as minhas pantufas andantes, com destino a sala principal.
Acendo a luz.
Me ajeito entre as almofadas e Dom Lucy (apresentarei à vocês, um dia).
Olho pra frente.

Me deparo com o espelho que fica ao fundo da cristaleira, cheio de taças e bons vinhos.
Ali, de frente comigo, penso no que fui, no nada em que me tornei, e no tudo que ainda desejo ser.
E me olhando entre cristais empoeirados, percebo que sou tudo em uma só pessoa.
Consigo ver que a maior cobrança, vem de mim. E não dos outros.
Respiro fundo.
Quase que com a alma.
Olho no relógio em meu pulso, aquele que faltam dois strass. (Se é que é assim que se escreve.) E caramba, já são 3:15 da manhã.

E só então, eu pude perceber que o que fui, é sempre o melhor que eu podia ter sido. O que estou sendo, é somente melhor que eu possa ser. E o que serei, será com certeza, o melhor que um dia eu já pude ser. É confuso, eu sei.  Mas é assim que estou sentindo. É assim que estou me entendendo.

Peguei a minha caneta turbinada e uma pagina de minha agenda, em branco. E passei a limpo os pensamentos... Começando e terminando assim:


"-Graças a Deus tive insônia essa noite. "

Calcei novamente as pantufas, coloquei as almofadas no lugar, apaguei as luzes e voltei para o quarto.
Dessa vez, dormi tranqüila. Sem medo de ser quem eu sou. Sem pensar em mudar por alguém, que não seja por mim.

Boa noite. 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Por que se esconder da chuva, quando se pode toma-la?



Engraçado como algo tão simples, quanto um banho de chuva numa tarde qualquer, pode fazer desaparecer tanta coisa ruim de dentro da gente. E trazer a não-tão-velha-assim, criança de volta.
A cada pingo que em mim caia e ardia, eu pensava em alguém. Ou melhor, em alguns. Alguns dos mais. Alguns dos melhores que talvez eu possa um dia conhecer. Pessoas que eu senti profunda falta numa hora tão plena.
A cada pingo que em mim caia e ardia, eu pensava nos muitos que eu desejaria ter ao meu lado naqueles minutos de tempestade de verão. Um turbilhão de pensamentos acompanhados de raios, trovões e roupa molhada. 

A cada pingo que em mim caia e ardia mais um pouco, me fazia desejar ser melhor que ontem, hoje e procurar ser melhor amanhã também.
A cada pingo que em mim caia e ardia, eu jogava fora medos e receios bobos. Pelo menos naqueles segundos. 

Risadas ao vento, meu amor.
A cada gota que em mim caia, ardia e molhava, eu me sentia mais forte, de energias renovadas e um sorriso nos lábios roxos de frio que, ali, ninguém conseguiria arrancar.
A cada toque que parecia divino, me trouxera de volta a minha fé adormecida.
E no fim - ou começo- de tudo, o que restou foram corpo e alma lavada.

PS: Um brinde, ao meu sábado chuvoso.  (05/02/11)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Abre aspas


"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias. Bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo.
Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce, que seja doce, e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.
Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doces os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira – quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja (mais do que) doce a voz ao falar ao telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão. Que seja doce. Que sejamos doce. E seremos, eu sei."
                                                          (Caio Fernando Abreu)


PS: Resolvi colocar um textinho dele, porque ele sempre diz por mim. E por muitas pessoas. (: