Você procura em revistas, na pagina de classificados do jornal, manequins, site de relacionamentos, outdoors, no supermercado, no estacionamento do shopping, na loja de esportes do shopping, na vendinha da esquina, enquanto caminha, dorme, sai e fica.
Num certo domingo, pós balada, você acorda querendo comer o mundo e ele tentando fugir de você, com os olhos ainda borrados de maquiagem, resto de uma errante noite de procura e vontade sem fim.
Você decide deixar o café pra mais tarde, lhe será muito útil.
Vai pra um restaurante por quilo, aquele que só velhinhos e velhinhas vão para deliciar uma bela feijoada e nenhum deles terá tempo de olhar o seu rosto coberto por um óculos de sol.
Você prefere um grande -e quando eu digo grande, acreditem, é grande mesmo!- prato de nhoque. Está pesando o seu pequeno almoço e descobre uma beleza em uma das mesas. Você deseja por um segundo que aquele não fosse o seu prato, pois ele olha espantado e depois sorri. Um sorriso lindo e doce, que você jamais esperaria encontrar num lugar como esse. Os olhares se trocando, mútuos e intensos. Como quem diz: encontrei!
Você tem vontade de sair correndo e dizer: TE QUERO!
Você passa sutilmente por ele e escolhe a mesa com melhor ângulo para a mesa do charmoso loiro.
Ele levanta, tira a carteira do bolso e se dirige para o caixa. Vocês ainda estão se olhando e todos a volta também.
Pagou em dinheiro.
Você pensa: pede sobremesa?
Mas, ele vai embora. E saindo, tropeça na escada por dar aquela última olhada. E você percebe que a paquera foi inútil, quando pra se segurar no corrimão pra não cair, você percebe aquela bela aliança de prata na mão direita. Que ele fez questão de esconder durante o almoço.
É triste, eu sei.
Você volta pra casa com um super ego e a auto-estima no chinelo.
Eu não disse que o café seria útil?!