domingo, 30 de dezembro de 2012

Boas festas!



O mês de dezembro realmente mexe comigo. Mais do que qualquer outro mês do ano.
Pode mexer com muita gente por ser o mês do Natal. Mas eu não sou fã dessa data. Já mencionei isso em outros textos, creio eu. Se eu estiver sendo muito repetitiva, me perdoem. O problema é que pra maioria das pessoas que conheço, essa época é a mais desejada. E pra mim é triste. Não sei dizer o porque. Só sei que não me sinto bem. Eu sinto saudade. Acho que é isso. E se eu falar que não sei do que sinto saudades, vai parecer loucura?
Graças a Deus, passo essa data com toda minha pequena família. Mas é um tipo de saudade do que não vivi. Das pessoas que perdi. Pra muitos é uma noite mágica. E pra mim, deixou de ser à partir do momento em que descobri que Papai Noel não existia.

Eu venho escrevendo esse texto há semanas. Pra ser mais exata, desde o segundo dia do mês!
Tento começar sempre antes do final do ano, porque sei o quanto me enrolo pra escrever sobre esse assunto. E eu juro que me esforço pra mudar as palavras... Mas como o sentimento não mudou (ainda, quem sabe um dia mude!), as palavras continuam com o mesmo sentido!

Esse é um mês em que me passa absolutamente TUDO pela cabeça. O que vivi, o que planejei viver na virada do ano anterior e não vivi. O que senti, as pessoas que conheci, o que aprendi. E não vou mais escrever tudo o que penso, porque ficaria aqui o mês todo! Rs

O objetivo desse texto é colocar na balança as coisas que aprendi, escrevi, li, vivi, enfim... tudo o que sou e fui esse ano. E pra agradecer aos raros que me leem. Que me entendem e que se identificam um pouco com a minha escrita! Esse ano encontrei textos antigos e resolvi partilha-los com vocês no "Achados e Perdidos" e comecei a escrever umas crônicas (confesso que adorei escrevê-las). E com isso o blog rendeu boas visualizações. E como eu disse, o objetivo era agradecer: OBRIGADA!

Desejo a todos, sem exceção, os que gostam ou não dos finais de ano: que sejam felizes. Que a gente saiba aproveitar cada segundinho vivido. E que seja muuuuuito bem vivido. Que a gente consigo compartilhar sorrisos, abraços, beijos, olhares com o mundo. E que saibamos recebe-los de volta. Que tenhamos saúde, amor, PAZ, sucesso, realizações e muitos sonhos pra sonhar, nesse novo ano que chega.
Que o novo venha, que o novo seja doce! E que a gente saiba aproveitar o novo dia, a nova fase, o novo tempo que se inicia. Um lindo e feliz 2013 à todos nós!

PS: O texto ficou sem nexo, porque eu demorei mesmo pra terminar. Comecei antes do Natal e só terminei uns dias depois dele! Rs

Abre Aspas


"Quero energia boa, por isso me cerco de coisas boas. Quero tranquilidade na minha casa, na minha família, na minha vida. Não quero atrito, confusão, briga, palavras duras. Quero paz. E desejo paz pra você também. Olha, esses sentimentos ruins não vão te levar a nada, nem a lugar algum. Coloca um sorriso no rosto, faz alguma coisa boa para você e para os outros. Deixa a armadura num canto, joga a podridão no lixo e segue de cabeça erguida. A vida abençoa quem se trata bem e, principalmente, quem tem boas vibrações. Se o seu caminho está torto não queira entortar o caminho dos outros. Dê um jeito, se resolva, mas não queira derrubar os castelos de areia de quem te rodeia. Quero que você se sinta bem e forte para realizar tudo que deseja. Quero que você não perca a capacidade bonita de sonhar. Quero que você não seja tão exigente com os outros e enxergue que ninguém vai ser perfeito. Nem no ano que vem e nem daqui a dez anos. Quero que você entenda que a vida fica bem melhor quando é dividida com alguém especial. Quero que você faça uma limpeza nos pensamentos, nos sentimentos e nas amizades. Fique com o que é bom, com o que acrescenta, com o que agrega. Quero que você não perca a fé. Muito menos a esperança. Quero que você tenha uma dose de paz, uma de saúde, uma de sorte e uma de amor." (Clarissa Corrêa)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Aos amigos


Que em 2013 os sonhos se renovem, os sorrisos e crises de riso se repitam, que as tardes e as noites com eles sejam infinitas, que os abraços continuem sinceros, que as briguinhas sejam passageiras. Que a gente perca o juízo e se divirta! Mas, que quando chegada a hora, o encontremos de novo! rs Que a confiança se fortaleça, que os laços não se desfaçam! Que a gente continue crescendo juntos e acreditando uns nos outros. Que todas as coisas boas que nos aconteceram, venham em dobro nesse novo ano. Que as nossas famílias tenham a paz e a saúde que merecem. E que sejamos felizes, sempre que pudermos! 

Obrigada, amigos. Por dividirem mais um ano comigo! :)
Um feliz ano novo pra todos.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Fujo pra me proteger


Fujo pra me proteger.

Me peguei pensando em quantas vezes eu já disse essa frase. E em quantas vezes eu realmente fugi. Todas as vezes em que alguém demonstrou gostar de mim, essa é a resposta certa. Quanta covardia da minha parte.
Pra quê tanto medo, menina? Porque uma vez, talvez duas, tenham dado errado? Errado, não. Deu certo. O tempo que tinha que durar.

Meu Deus, quantas vezes eu me impedi de ser feliz e coloquei a culpa no mundo? Por bobagens, me sabotei. Não me permiti criar expectativas. Não me permiti sonhar com aquele diálogo de filmes.

Fingi pra me proteger. Fingi ser durona. Fingi não querer ninguém. Fingi ser uma pessoa que não sou. E por pura ingenuidade. Pra tentar me proteger de algo que não tem proteção. E agora, colocando tudo em uma balança vejo que se a intenção era evitar sofrer, me boicotei. Porque acabei sofrendo o dobro.

Boicotei a minha felicidade. Que fosse ela por uma hora, um dia, um mês, um ano. Mas era pra ser minha. E eu a dei pra outras pessoas. Distribui sorrisos e abraços que eram pra ser meus.

E lá vai: pra esse novo ano que se aproxima, desejo não fugir. De nada. De nenhuma batalha, por mais que pareça perdida. De nenhuma pessoa. De nenhum amor que eu possa e deva sentir. E que seja pra sempre essa vontade de enfrentar. Em frente!



sábado, 22 de dezembro de 2012

Abre Aspas



"Às vezes a gente planeja uma coisa, mas vem a vida e diz outra. Não dá pra se preparar antes ou criar uma estratégia estúpida de defesa que espere sempre o pior evitando qualquer decepção ou sofrimento inesperado. É assim. Às vezes a gente planeja uma coisa, mas vem a vida e diz outra. Não sei bem como avaliar essas situações que se impõem diante da gente... Só posso é pedir sabedoria para atravessar intemperanças. E que a gente se mantenha forte para nunca desistir, só porque não deu certo... desta vez." (Elenita Rodrigues)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Faz um tempinho que não posto nada sobre o que ando ouvindo ultimamente. Como hoje acordei animada, já coloquei uma playlist bacana pra tocar desde cedo. E pensei em postar duas músicas em especial, que tenho ouvido muito.
Sempre curti Cássia Eller, desde pequena. Essas duas músicas de hoje não são de autoria dela, mas ela as emprestou a voz com maestria! Como sempre, aí segue a letra e o vídeo. Espero que gostem!




Luz dos olhos- Nando Reis

Ponho os meus olhos em você se você está
Dona dos meus olhos é você, avião no ar
Um dia pra esses olhos sem te ver é como o chão do mar
Liga o rádio a pilha e a TV só pra você escutar...

A nova música que eu fiz agora
Lá fora a rua vazia chora

Os meus olhos vidram ao te ver, são dois fãs, um par
Pus nos olhos vidros pra poder melhor te enxergar
Luz dos olhos, para anoitecer é só você se afastar
Pinta os lábios para escrever a tua boca em minha...

Que a nossa música eu fiz agora
Lá fora a Lua irradia a glória

E eu te chamo
Eu te peço vem
Diga que você me quer porque eu te quero também

Faço as pazes lembrando
Passo as tardes tentando lhe telefonar
Cartazes te procurando
Aeronaves seguem pousando sem você desembarcar

Pra eu te dar a mão nessa hora
Levar as malas pro fusca lá fora

E eu vou guiando
Eu te espero, vem
Siga onde vão meus pés porque eu te sigo também

Eu te amo, oh
Eu te peço vem
Diga que você me quer porque eu te quero também...




Primeiro de Julho- Renato Russo

Eu vejo o que aprendi, 
O quanto te ensinei
E é nos teus braços que ele vai saber
Não há porque voltar, 
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez

O que fazes sem pensar, 
Aprendeste do olhar
E das palavras que eu guardei pra ti
Não penso em me vingar, 
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso, 
Vale mais o coração
E já que não me entendes, 
Não me julgues, 
Não me tentes
Pois o que sabes fazer agora, 
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim

Ninguém sabia, e ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então

Sou fera
Sou bicho
Sou anjo
E sou mulher
Sou minha mãe
Minha filha
Minha irmã
Minha menina
Mas sou minha
Só minha
E não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor

Alguma coisa aconteceu, 
Do ventre nasce o novo coração
Não penso em me vingar, 
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso, 
Vale mais o coração

Ninguém sabia, e ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então

Sou fera
Sou bicho
Sou anjo
E sou mulher
Sou minha mãe
Minha filha
Minha irmã
Minha menina
Mas sou minha
Só minha
E não de quem quiser
Sou Deus tua deusa meu amor

O que fazes por sonhar, 
É o mundo que virá
Pra ti, pra mim, 
Vamos descobrir o mundo juntos, baby
Quero aprender com teu pequeno grande coração
Meu amor, meu amor



OBS: Todas as letras postadas aqui no blog tem como fonte o site Vagalume.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Abre Aspas


"Vai devagar… Pensa duas, três, quatro, quantas vezes forem necessárias pra não fazer bobagem. Cuida do teu coração, cuidado com quem você deixa entrar. Espera o tempo passar. Acredita menos… As pessoas não são tão legais quanto aparentam ser. Quem acredita menos, sofre na mesma proporção. Até quando você achar que é verdade, desconfie um pouquinho. Faz bem não se entregar totalmente logo de cara.

Se arrisca mais, por você. Tenha coragem para dizer tudo que tens aí guardado. Seja forte para conseguir se manter calada perante alguns. Muda de rumo. Quando te mandarem ir por lá, vai pelo outro caminho. Ou vai apenas, pelo caminho do teu coração. Se você não aguentar mais fingir… Chore. Depois que você acabar de chorar, vai sentir-se mais leve. E então vai levantar a cabeça, lavar o rosto, pôr uma roupa bonita no corpo, um sorriso escandalosamente lindo no rosto e dizer que chega, que você vai é ser feliz. Eu sei, é assim mesmo. E vai funcionar! Não diga “nunca”, nunca. Irônico, não? Mas não diga. Porque essa vida é incrivelmente engraçada. Mais uma coisa. Você não pode ter medo que as pessoas te machuquem, viu. Porque as pessoas vão te machucar de vez em quando, até mesmo aqueles que você mais confia e admira. Não vão fazer por mal, mas somente porque são humanos. Cometemos erros ridículos com pessoas maravilhosas. Faz parte. Não esquece que cada um é cada um. Somos diferentes. Graças a Deus, somos. Vive um dia por vez, sem pressa e sem querer ser mais rápida que o tempo. E por favor, vai ser feliz, que tu ainda tem muito por viver." (Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Crônica


Era um domingo ensolarado. O garotão mais novo com que eu estava saindo iria passar o dia com a avó e a gente se encontraria mais tarde no "nosso barzinho". Era como ele o chamava e eu, de certa forma achava fofo o garotão fã do desapego falar isso!

E tudo sairia como o planejado se a campainha do apartamento não tivesse tocado.

Eu estava me trocando, coloquei aquela camisa jeans que ele adorava tirar! A gente se dava muito bem nessas horas. Afinal, era um meninão cheio de energia pra gastar.
Com os brincos de argola na mão, abri a porta. E por Deus, tomei o maior susto da minha vida.

Me deparei com os olhos do meu primeiro amor! É brega, eu sei. Mas eu vivia dizendo ao garotão e pra quem mais quisesse ouvir: que o primeiro amor a gente nunca esquece. E ele vivia dizendo que então, nunca tinha amado. Eu achava graça. Pois eu sabia e queria que a gente não fosse nada a mais.

Eu senti as borboletas do mundo todo no estômago, as pernas bambas e as mãos tão trêmulas que os brincos foram parar no chão. Bem ao lado do all star preto. E quando eu o vi, não pude evitar o sorriso.
Foi quando o nosso diálogo começou:

-Oi, eu posso entrar?
Eu quis dizer um "siiiiiim, entra na minha vida!" Olha eu sendo brega de novo.
-Claro, fica a vontade.
-Você estava de saída?

-Não, quer dizer, eu só estava indo ao mercado. Mas isso pode esperar!
E depois de uma pausa forçada pela minha consciência dizendo "Mentirooosa!!!", continuei:

-Confesso que fiquei surpresa com a sua visita! Afinal, deve ter uns cinco anos que a gente não se fala.
-Eu precisava te ver! Eu liguei pra sua mãe e pedi seu endereço. Só depois de seis meses criei coragem pra vir aqui!
Estava tão nervosa e tudo o que consegui dizer foi: -Quer alguma coisa pra beber?
Você sorriu e segurou a minha mão.
-Escuta tudo o que eu preciso te dizer e nós teremos muito tempo pra beber "alguma coisa".
...
-Eu sei que a sua vida tomou outro rumo e a minha de certa forma também! Estamos morando em cidades diferentes e levando vidas opostas. Mas eu precisava te contar que eu tentei gostar de outras pessoas e confesso que me apaixonei por outra mulher. Mas só paixão não basta. Você sabe! É preciso muito sentimento pra dar certo. Olha, sei que quando a gente estava junto eu errei com você e você também comigo. Mas eu não te esqueci. E eu precisava tentar, entende?

Você percebeu que eu estava chorando e me perguntou apontando pro meu peito:
-Tem um espaço pra mim ainda? Me diz que eu não cheguei tarde demais?

-Esse espaço sempre foi seu! E você chegou na hora certa.

Depois de tantos anos, nos beijamos como se o tempo não tivesse passado. Nos beijamos como quando a gente se encontrava no portão de casa. Com saudade.


Você foi embora na segunda cedo, logo depois do café da manhã. Eu liguei meu celular (que desliguei enquanto fui ao banheiro) e haviam trinta e duas ligações perdidas do garotão. Eu retornei, pedindo a ele que viesse ao meu apartamento. Eu imaginei que não iria querer explicações, mas eu as daria. Querendo-as ou não!

Eu expliquei tudo, disse o quanto eu estava feliz e contei o que tinha acontecido na noite anterior e porque, ou melhor, por quem eu o tinha deixado plantado a noite inteira. 

E pra minha surpresa, ele ficou "bolado" (foi esse o termo que ele usou!). Na porta, me deu um beijo e disse que nunca me esqueceria. E terminou dizendo "porque o primeiro amor a gente nunca esquece!".

Eu tinha toda a razão. A gente nunca esquece. Eu nunca esqueci o meu e você nunca esquecerá o seu!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Achados e Perdidos

Esse é um pouco velhinho! Rs Mais um achado! :)


Incrível a minha facilidade de deixar alguém dominar por inteiro o meu coração!
Só posso estar louca, essa minha incapacidade de "pegar sem se apegar"... Esse é um lema que literalmente não funciona comigo. Mergulho de cabeça e pra variar ele não sai dela também.
Só queria entender como é que eu funciono, porque é tão simples gostar de uma pessoa?
Eu já dei fora em caras que dariam tudo pra ficar comigo, em compensação, como eu gosto fácil de tipinhos que não podem e não sabem gostar de ninguém...
Sabe aquela pessoa que você não pode se apegar? Que tem tudo pra te fazer sofrer? Que não é o mais bonito e que mesmo assim não consegue olhar pra outro? Aquele que quando te abraça, te olha, te beija faz o tempo parar?! Que nem é tudo o que você idealiza, mas que mesmo assim te persegue praticamente o seu dia todo?! Tirando a parte da noite, em que está dormindo, (e que mesmo assim, às vezes faz o favor de atormentar em sonho!).
Eu sei, nada é impossível. Mas, por experiência própria, eu sei também que é só o tempo que trás os amores 'impossíveis'.
E aí eu me pergunto: será que quando esse dia chegar (se chegar), eu ainda vou sentir o que sinto por ele?
É por isso que tenho esse jeito imediatista de ser, porque eu quero viver o hoje, o sentimento que está aqui, agora. E que infelizmente vem crescendo e que mudou o brilho dos meus olhos de repente.
Eu tenho cada vez mais me decepcionado comigo...
É sempre desses tipinhos que eu gosto, que eu quero, que eu tenho vontade de roubar pra mim!
Sim, eu sou mesmo estranha!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Abre Aspas



Amar

     "Procure me amar quando eu menos merecer, porque é quando eu mais preciso.

Falamos à beça de amor. Apesar das nossas singularidades, temos pelo menos esse desejo em comum: queremos amar e ser amados. Amados, de preferência, com o requinte da incondicionalidade. Na celebração das nossas conquistas e na constatação dos nossos fracassos. No apogeu do nosso vigor e no tempo do nosso abatimento. No momento da nossa alegria e no alvorecer da nossa dor. Na prática das nossas virtudes e no embaraço das nossas falhas. Mas não é preciso viver muito para percebermos nos nossos gestos e nos alheios que não é assim que costuma acontecer.
Temos facilidade para amar o outro nos seus tempos de harmonia. Quando realiza. Quando progride. Quando sua vida está organizada e seu coração está contente. Quando não há inabilidade alguma na nossa relação. Quando ele não nos desconcerta. Quando não denuncia a nossa própria limitação. A nossa própria confusão. A nossa própria dor. Fácil amar o outro aparentemente pronto. Aparentemente inteiro. Aparentemente estável. Que quando sofre não faz ruído algum.
Fácil amar aqueles que parecem ter criado, ao longo da vida, um tipo de máscara que lhes permite ter a mesma cara quando o time ganha e quando o cachorro morre. Fácil amar quem não demonstra experimentar aqueles sentimentos que parecem politicamente incorretos nos outros, embora costumem ser justificáveis em nós. Fácil amar quando somos ouvidos mais do que nos permitimos ouvir. Fácil amar aqueles que vivem noites terríveis, mas na manhã seguinte se apresentam sem olheiras, a maquiagem perfeita, a barba atualizada.
É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. Nos cafés, após o cinema, quando se pode filosofar sobre o enredo e as personagens com fluência, um bom cappuccino e pão de queijo quentinho. Nos corredores dos shoppings, quando se divide os novos sonhos de consumo, imediato ou futuro. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nos encontros erotizados, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. E fala o tempo todo do seu drama com a mesma mágoa. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando até a própria alma parece haver se retirado.
Difícil é amar quando já não encontramos motivos que justifiquem o nosso amor, acostumados que estamos a achar que o amor precisa estar sempre acompanhado de explicação. Difícil amar quando parece existir somente apesar de. Quando a dor do outro é tão intensa que a gente não sabe o que fazer para ajudar. Quando a sombra se revela e a noite se apresenta muito longa. Quando o frio é tão medonho que nem os prazeres mais legítimos oferecem algum calor. Quando ele parece ter desistido principalmente dele próprio.
Difícil é amar quando o outro nos inquieta. Quando os seus medos denunciam os nossos e põem em risco o propósito que muitas vezes alimentamos de não demonstrar fragilidade. Quando a exibição das suas dores expõe, de alguma forma, também as nossas, as conhecidas e as anônimas. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, para caminhar ao seu encontro.
Difícil é amar quando o outro repete o filme incontáveis vezes e a gente não aguenta mais a trilha sonora. Quando se enreda nos vícios da forma mais grosseira e caminha pela vida como uma estrela doída que ignora o próprio brilho. Quando se tranca na própria tristeza com o aparente conforto de quem passa um feriadão à beira-mar. Quando sua autoestima chega a um nível tão lastimável que, com sutileza ou não, afasta as pessoas que acreditam nele. Quando parece que nós também estamos incluídos nesse grupo.
Difícil é amar quem não está se amando. Mas esse talvez seja o tempo em que o outro mais precise se sentir amado. Para entender, basta abrirmos os olhos para dentro e lembrar das fases em que, por mais que quiséssemos, também não conseguíamos nos amar. A empatia pode ser uma grande aliada do amor." (Ana Jácomo)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

.


Limpei a casa, tirei a poeira dos sentimentos esquecidos e joguei fora tudo o que não uso e não quero mais.
Estou aqui. Como você pediu e merece.

Te quero, óh! De cara limpa e alma lavada!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Crônica


Eu acho graça contar pros mesmos amigos a mesma história. Com os mesmos gestos, falas e lágrimas.
Há exatamente dois anos nos perdemos. E eu ainda me lembro da primeira vez que nos encontramos.


Era dezembro, havia neve, luzes e um lago congelado. Não sei como e nem o porquê, mas, nós estávamos no mesmo parque. Eu estava de férias e você a trabalho. Eu te ouvi falando em português no celular e pensei que era coisa da minha cabeça. Pois qual é a probabilidade de encontrar um brasileiro, sentado no banco ao lado? Eu ri. E você notou! Eu me lembro que você dizia estar com saudades e que logo voltaria. E quando desligou o telefone, nos olhamos. Bastou. Conversamos durante meia hora, era o que restava do seu horário de almoço.

O destino tem dessas coisas, né? Nos pega desprevenidos.
Foi assim com o nosso começo e com o nosso fim.


Um mês.
Não precismos de nada além disso pra nos apaixonar. Tínhamos tanta coisa em comum. Gostávamos de filmes antigos, pipoca com muita manteiga e de patinar no parque. Eu gostava do seu cheiro e da sua boina. E você dizia gostar da minha camiseta surrada do "ACDC".

Eu conheci seus pais assim que pousamos no Brasil. Me lembro o quanto foram receptivos. E achei engraçado vê-los tentar falar inglês comigo. Mais engraçado, foi quando você disse que eu era brasileira. Nos olhos da sua mãe, havia uma mistura de espanto e alívio, ao mesmo tempo. E ela quis saber como a gente se conheceu. Nos bombardeou de perguntas e encerrou dizendo: -O destino é mesmo engraçado!


O destino tem dessas coisas, né? Nos pega desprevenidos.
Foi assim com o nosso começo e com o nosso fim.


Foram tantos anos juntos, não é mesmo?
Você me deu forças quando eu descobri que estava grávida. Mesmo estando desempregado e eu terminando a faculdade, me dizia que tudo ia dar certo. Me deu mais força ainda quando perdi o nosso bebê. Foram tempos difíceis. Mas a gente superou. Do nosso jeito.

Você não gostava quando eu tirava o esmalte com os dentes. E eu não gostava quando você resolvia cozinhar. Eu gostava do seu cabelo e você dos meus olhos. E era assim que a gente se completava.


Me lembro quando saímos comemorar o seu novo emprego e do dia da minha formatura. E das flores que me deu quando subiu de cargo. E do cartão escrito: "Sem você, nada disso estaria acontecendo. Eu te amo."

O destino tem dessas coisas, né?! Nos pega desprevenidos.
Foi assim com o nosso começo e com o nosso fim.

Você era o chefe da empresa e fazia viagens pra resolver os problemas. Nem a distância mudava o que sentíamos. Você me trazia uma lembrança de cada lugar que passava. E eu guardava tudo naquela caixa florida, que fica na última gaveta da cômoda. Eu guardo cada pedaço de você lá. Eu guardei nós dois por seis anos.

Era dezembro. E nós brigamos, pois eu te queria por perto nas vésperas do Natal. E você quis fazer a última viagem de negócios do ano. Eu não te contei, sabe o quanto eu gosto de fazer surpresas. Mas enquanto você arrumava as malas, eu descobri que estava grávida novamente. A gente queria tanto um filho.
Você me deu um beijo apressado na testa, estava atrasado pro voo. E eu ouvi um último "eu te amo".

Ter perdido você naquele acidente, me fez perder parte da minha vida. Doía tanto, amor.
Eu queria ter te pedido desculpas pela briga, queria ter impedido você de sair por aquela porta, sem antes dizer o quanto eu te amava. Eu queria ter dito que seria pai.
Eu queria que ouvisse agora o nosso pequeno menino dizer a primeira palavra: Papai.

O destino tem dessas coisas, né? Nos pega desprevenidos.
Foi assim com o nosso começo e com o nosso fim.




segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Abre aspas


'Esquece essa gente pequena, dona moça. Não é todo mundo que guarda no peito, um baú feito o seu, cheio de inspiração, flores, cores e delicadezas. Tem gente que transforma o que passou, em mágoa. Feliz é você, dona moça, que pega o que restou do passado e transforma em poesia.' (Karla Tabalipa)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Achados e Perdidos

Mais um texto antigo pra fazer parte do "Achados e Perdidos".

Tem gente perdendo.
Perdendo a minha confiança.
Perdendo a graça.
Perdendo essência.
E eu, perdendo o meu tempo dando inúmeras chances!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Crônica




Eu estava terminando de ler aquele livro que comecei na segunda, naquele mesmo café que frequento desde que me mudei pro novo apartamento. Eu me sentia sozinho. Por isso comecei ler, sentado no mesmo sofá, de frente pra vitrine de uma loja de departamento.

Acordei cedo numa manhã cinzenta, com mais preguiça que o normal. Pensei diversas vezes em ficar mais cinco minutos na cama. Mas, o último capítulo do livro me aguardava! E eu, precisava de inspiração para acabar de escrever o meu. Tomei um banho, coloquei aquela velha camisa xadrez, não arrumei o cabelo. Peguei a chave, o companheiro e o velho óculos de grau. Quando cheguei na esquina, me lembrei de que não tinha escovado os dentes. Ah, mas tudo bem. Nunca converso com ninguém! Sou o escritor fracassado.

Sabe quando você sai na rua com a sua roupa mais surrada e encontra aquela pessoa que não poderia encontrar? Não nesses trajes! Então, foi mais ou menos isso que aconteceu comigo! Você se pergunta: como você encontrou aquela pessoa, sendo que não conhece ninguém na sua nova cidade? Já explico.


Sentei no mesmo sofá vermelho, pedi o cappuccino de sempre. Passei a mão no cabelo, mas os óculos estavam no bolso da camisa. Coloquei-o e abri o livro.

O café era muito frequentado por gente de toda cor, raça, classe social. Eu costumava chama-lo de estufa. Era uma redoma de vidro aconchegante.

Mas, naquele dia, tudo seria diferente.

Escutei o sininho da porta anunciar a chegada de mais uma entre tantas pessoas que por ali passariam o dia todo. Você acha que não, mas em cidades grandes as pessoas adoram um café. Nunca entendi isso muito bem. Afinal, fui criado numa cidade de interior, com costumes e culturas diferentes. Mas, me adaptei rapidamente à vida de metrópole.

Virei mais uma página, quando por mim passou um perfume floral. Levantei os olhos. Passava por mim uma menina com um vestido delicado, uma bolsa com franjas, que carregava nela uma pequena jaqueta jeans. Ela tirou os óculos escuros dos olhos. E por Deus, que olhos lindos. Verdes. Ou poderiam ser azuis. Não sei dizer bem qual era a cor exata. Fiquei bobo. E ela percebeu isso quando derramei o copo do meu cappuccino que a garçonete havia colocado em minha mesa, sem eu nem notar. Ela sorriu! E eu pensei: como sou idiota!

Ela abriu a bolsa, tirou dela uma câmera fotográfica, dessas que as fotos saem na hora. E começou tirar fotos alheias. Ela era tão esquisita. Mas eu não consegui tirar os olhos dela.

Me deu uma vontade repentina de escrever o final pro meu livro. Peguei um pedaço de um guardanapo e aproveitei a vinda da garçonete (ela veio limpar a mesa!) e pedi uma caneta. Ela me olhou feio, mas acabou me arrumando uma. Escrevi. Escrevi tanto. Acho que usei todos os guardanapos da minha mesa. Por uma hora, esqueci de onde estava, como estava e da menina floral.

Olhei pro lado, ela não estava mais no sofá. Foi quando levei um susto: ela estava parada na minha frente, com os guardanapos da mesa dela na mão. Sorrindo me disse: "- Achei que precisaria!"
Não consegui fazer outra coisa, senão, olha-la e sorrir. Ela ficou meio sem graça. E por um minuto pensei em convida-la pra sentar... Quando ela virou as costas, depois de ter deixado os papéis em minha mesa, com uma fotografia minha escrevendo feito doido. Eu gritei, dando um salto do sofá. E ela sutilmente olhou pra mim -como todas as pessoas presentes no café.
"- Quer me mostrar as outras fotos?" Foi só isso que consegui falar. Mas, por incrível que pareça, ela me entendeu.

Sentamos juntos. Era a primeira pessoa que eu havia conversado naquela cidade. Tirando o cara mala da padaria, a garçonete mal humorada, o caixa do mercado e o rapaz da editora.
Conversamos por horas. Sobre fotografia, meu livro, sua esquisitice e meu cabelo bagunçado.

Eu tentei marcar um encontro com ela. Ali mesmo, na manhã seguinte. Ela tem umas manias malucas, sabe? Me disse que não queria marcar nada. Que o nosso encontro foi o destino quem marcou. E terminou dizendo: "- Se a gente tiver que se encontrar amanhã, nos encontraremos." Eu não disse que ela era esquisita? Mas era linda. Era uma boneca. Uma pintura. E quem podia contraria-la com aquele sorriso?!

Ela me deu um abraço e eu a beijei na testa. Fiquei pensando depois que ela saiu: "Quem dá beijo na testa?" E me senti um babaca. Até me sentar de novo, olhar a foto pela vigésima vez. Peguei todos os pedaços de guardanapo escrito, guardei em ordem no bolso. Deixei o dinheiro pra pagar a conta na mesa.

Chegando em casa, pra ser mais exato, na porta do apartamento, me embaralhei com as chaves numa mão, a outra estava ocupada segurando minha foto (tirada segundo os olhos da menina floral). Foi quando ela caiu, com a imagem voltada pro chão. E não é que havia uma dedicatória atrás? Dizia: "Escritor do cabelo bagunçado, o destino me disse que nos encontraremos amanhã, no mesmo lugar e no mesmo horário! Penteie o cabelo e escove os dentes. Com carinho, fotógrafa doida da mesa ao lado."

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Vinte e tantos



Um dia desses me perguntaram, como eu me sentia agora, depois de mais um aniversário. Se eu havia amadurecido! Oi? Ninguém amadurece da noite pro dia, de um ano completo pra outro. Maaaas, como não desperdiço nenhuma pulga atrás da orelha, me peguei pensando nisso.

Pensei milhares de coisas, um filme passou em minha cabeça. Mil e uma respostas, ou melhor, mil coisas que eu responderia sem medo, rodeado por algum palavrão! Rs
E como quem faz um balanço da vida, resolvi anotar numa dessas folhas decoradas e meigas, o que eu aprendi em vinte e tantas primaveras.

Aprendi que nem todas as pessoas pensam como eu e muito menos agem, como eu agiria. Aprendi que existem pessoas que desejam o mal mesmo. E aprendi também que isso tem volta. Pode demorar o tempo que for!

Aprendi que quando se está feliz, poucos dividirão essa felicidade com você. É mais fácil dividir tristezas e lamentações.
Aprendi que pensar primeiro em mim, não é egoísmo e sim, amor próprio. Aprendi que quando você faz algo de bom, ninguém se lembra. E quando um erro comete, ninguém se esquece.

Aprendi que amizade verdadeira está em falta no mercado. E que amor, poucos se atrevem sentir. Corajosos são os que permitem!

Aprendi que o único erro dos pais, é não serem eternos.
Aprendi também, que o tempo corre depressa e que não há relógio que perdoe o desperdício.
Aprendi que fé é uma sementinha que se rega todo dia. E que Deus escuta, sim. Mas, responde na hora certa.
Aprendi que irmãos sempre serão um pedacinho de nós. São laços. Bem feitos. Enfeitam.

Aprendi que a gente tem muito o que aprender e amadurecer. Mas, acredito que estou no caminho e no tempo certo. O meu.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Abre aspas


"Estar bem e feliz é uma questão de escolha e não de sorte ou mero acaso. É estar perto das pessoas que amamos, que nos fazem bem e que nos querem bem. É saber evitar tudo aquilo que nos incomoda ou faz mal, não hesitando em usar o bom senso, a maturidade obtida com experiências passadas ou mesmo nossa sensibilidade para isso. É distanciar-se de falsidade, inveja e mentiras. Evitar sentimentos corrosivos como o rancor, a raiva e as mágoas, que nos tiram noites de sono e em nada afetam as pessoas responsáveis por causá-los. É valorizar as palavras verdadeiras e os sentimentos sinceros que a nós são destinados. E saber ignorar, de forma mais fina e elegante possível, aqueles que dizem as coisas da boca para fora ou cujas palavras e caráter nunca valeram um milésimo do tempo que você perdeu ao escutá-las." (Nietzsche)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Achados e perdidos

Aí vai um texto antigo, que achei perdido nas minhas coisas. Pude me lembrar exatamente em que momento estava e como eu estava me sentindo! Rs


Já fui Paula, Camila, Marcela, Carolina, Mariana, Luíza, Daniela.

Sei criar muito bem novos “eu's" quando não quero papo com algum cara irritante, em uma balada onde ninguém me conhece.  Ou até mesmo com meninas efusivas e com ar de falsidade.  Invento papos, amores antigos, não correspondidos. Já tive temperamento forte, não que eu não tenha realmente. Já fui fútil, a ponto de não me aguentar  Já fiz papel de bipolar e ri da cara do fulano por acreditar em tanta asneira. Já me desliguei do meu mundinho e me liguei a outro.  
Acho ótima a possibilidade de se desconectar com o que você realmente é. Inventar faz bem. Ou não. Voltar pro próprio mundo, do mesmo jeito que o deixamos é que é complicado e muitas vezes, vazio.
Onde eu quero chegar com esse papo todo? Aí, com você!
Engraçado, como sou eu o tempo todo ao seu lado. Como me esforço pra que me conheça. Pra que saiba que eu sou de verdade. Como vou. Estou.
 Mais engraçado ainda, é como eu me comporto, me porto, me importo.
Trágico-cômica é essa situação em que me encontro. Madrugada chuvosa, lá fora e aqui dentro, e eu , sentada, sozinha em meio a letras perdidas, pedindo pra serem transformadas em palavras de revolta.  No fim, eu me pego pensando que quem se importa de verdade, não precisa que você se esforce pra mostrar quem é.  Ela simplesmente te re-conhece.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Abre aspas



"Nem sempre querer é poder, porque às vezes a gente quer, mas ainda não pode. 
Ainda não consegue realizar. Não faz mal: a vontade que é legítima, alinhada com a alma, caminha conosco, paciente, fresca, bondosa, até que a gente possa. 
Às vezes, isso parece muito longe, mas é só o tempo do cultivo. 
As flores, como algumas vontades, também desabrocham somente quando conseguem." 
(Ana Jácomo)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Crônica



Depois da nossa última briga, você me disse que voltava. E eu te deixei sair por aquela porta, tão antiga quanto o nosso apartamento alugado. Você não voltou! Fugiu com tudo que era seu: meu sorriso e metade do meu coração esfolado!
Você podia ter me dito que tinha outra. Podia! Mas, não importa, porque eu senti todo esse tempo, desde que você voltou daquela última viagem, que eu não era mais a única pra você. Meu Deus, como eu pude me enganar assim? Fiquei cega e louca, logo eu que sempre fui tão sensata. Tentei salvar o que tinha restado de mim (de nós) em você.
Você me deu todos os sinais, eu sei. Mas, a gente tinha combinado ser sinceros um com o outro! Foi difícil pra você, não é?! Sempre foi.



Sete dias. Eu fiquei trancada nesse apartamento por sete dias.
Inventei uma doença contagiosa, um atestado pra uma semana, -favor daquela minha amiga médica, que você não suportava, lembrou dela?- me deu folga do trabalho. Isso porque eu adoro o jornalismo.

Eu chorei saudades e mágoas, tirei suas roupas do armário, lavei os lençóis e as suas fronhas (depois de passar mal uma madrugada, com o cheiro bom do seu perfume ). Me esvaziei de você. Entreguei pro porteiro, qualquer coisa que me remetesse a nós.
Deixei o meu regime de lado, comi brigadeiro todas as noites, acompanhada de bons filmes de comédia romântica. Que você por sinal, odiava!
Talvez eu tenha ficado sem tomar banho, por um dia ou dois. Não atendi o telefone. Minha mãe acaba de ligar pela trigésima quinta vez, nesta última ligação, ela deixou um recado seco (como todos os outros) dizendo que estava pegando um avião sem conexão pra cá. Já pode imaginar o quanto isso me deixou mais infeliz. Você sabe, ela não se preocupa comigo. Ela se preocupa com o nome da família e com aquela maldita entrevista que tenho daqui duas semanas, naquela revista de renome! Imaginei a sua cara de desprezo lendo isso agora.


Mas, eu precisava desse tempo. Eu precisava estar limpa e livre de você. Esquecer um relacionamento de 8 anos da noite pro dia, não é tarefa fácil.


Por que eu te escrevi essa carta? Ora, pra lhe agradecer.
Dois meses depois de você ter me deixado, eu recebi um telefonema da revista (sim, eu fiz a entrevista!) que você me disse que eu jamais conseguiria trabalhar, lembrou? E adivinhe quem é o meu chefe? Aquele bonitão da academia -que você dizia não ter cérebro.
Pois bem, estou ganhando um salário que você nem imagina quantos zeros têm. A carta que comecei naquele apartamento de três cômodos, termino hoje escrevendo no meu apartamento luxuoso, com um vestido lindo -tenho um encontro com o bonitão. Com um sorriso que nunca foi seu e com amor próprio.


Eu cresci. Bastou você sair por aquela porta. Você que era e pensava pequeno, por pouco, não quebrou minhas asas. Por sorte, uma outra apareceu na nossa vida. Que sorte a minha!
Não pense que escrevo esta carta como forma de vingança, você sabe, eu não faria isso... Escrevo esta carta pra enterrar de vez tudo o que aconteceu, pra deixar você de vez no passado, nas lembranças.
Escrevi pra lhe dizer, que tudo o que desejei aquela noite, -em pensamento- quando você me deu as costas, era mentira. Eu quero que você seja feliz.
Só assim, poderei te agradecer por ter me ensinado em tão pouco tempo, como é se sentir feliz pra sempre!

terça-feira, 31 de julho de 2012



Só queria poder te falar da falta que você me faz.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

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Mulheres quando acabam de terminar um relacionamento:
choram, se descabelam, comem chocolate (muito, por sinal), assistem filmes de romances - que dão certo-, com a companhia das melhores amigas.

Homens quando acabam de terminar um relacionamento:
tomam cerveja, combinam futebol e balada com os amigos.



Mulheres semanas depois de terminar um relacionamento:
salto alto, maquiagem, o melhor sorriso estampado no rosto e diversão até o último minuto da balada.

Homens semanas depois de terminar um relacionamento:
se dão conta da falta que ela faz.

Tarde demais!


PS: Esse é um texto fictício, ok? É claro que nem sempre é assim!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

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Não se lamente, mulher! Quando conhecer o homem da sua vida, vai entender o porque todos os outros meninos foram embora!

domingo, 15 de abril de 2012

Abre Aspas


Se tivesse ligado saberia...

"Você poderia ter ligado no dia seguinte. Nós teríamos rido dos acontecimentos da noite passada e então você diria que quer me ver, marcaríamos de comer e beber com seus amigos em algum barzinho de gente comum e feliz. Lá você ficaria me olhando com aquela cara que só você faz e eu descobriria que seus amigos são meus amigos. Você me levaria para casa e eu te daria um beijo leve de despedida.
Nos veríamos outras vezes e descobriríamos que nos damos bem. Você descobriria que eu amo homens de camisa branca, adoro fazer um cafuné e sei tocar violão. Eu descobriria que você fica ótimo de camisa branca, que você ama receber um cafuné e que até que é afinado.
Numa sexta-feira você me chamaria para jantar, num desses lugares que podemos dançar, rir e falar alto e usar sapato baixo, porque você saberia que é disso que gosto. Depois do jantar você me levaria numa brownieria e pediria dois brownies caprichados para viagem. Então você me levaria para a cachoeira, comeríamos nossos brownies e veríamos as estrelas. Você iria rir do chocolate no meu dente e eu não ligaria. Então você me contaria seus medos, suas manias, do bolo de chocolate da sua mãe, do churrasco do seu pai e das suas histórias de infância. Então você olharia nos meus olhos e diria “nunca trouxe ninguém aqui” e nos beijaríamos.
Passariam dias, semanas, meses e você descobriria que não precisava abrir mão do trabalho, dos amigos e das noites de shows, festas e bares, porque antes de qualquer coisa, seriamos amigos, parceiros. Pois eu e você topamos tudo, somos pau pra toda obra, e você sabe disso.
Então, num desses feriados prolongados nós viajaríamos com nossos amigos para a casa de praia dos seus pais. Eu descobriria que você cozinha bem, mas é desorganizado e discutiríamos porque você bagunçou toda a cozinha que eu arrumei. Eu sairia batendo pé, com meu temperamento difícil que você sempre soube lidar, e você começaria a rir, me puxaria e me daria um beijo. Depois do almoço eu deitaria no sofá, com os pés em cima de você e te contaria meus segredos, sobre minha família e tudo que me faz chorar, então você diria que sempre há uma razão para sorrir. Nós prometeríamos um ao outro prometer apenas o alcançável, nada de declarações de amor eterno. Começaria a passar o Domingão do Faustão e eu cairia no sono. Quando eu abrisse os olhos, todos estariam na varanda ouvindo Cazuza e bebendo, eu subiria, tomaria meu banho e escovaria meus dentes. Você sabe que gosto de carinho ao acordar, mas permita-me escovar os dentes antes. Você sabe, não é? Não?! Se tivesse ligado saberia…
Mas enfim, eu desceria e iria a varanda te abraçar por trás, te dar um beijinho e dizer “estou muito feliz” e você diria “não, você é muito feliz”.
O tempo passaria, as pessoas iriam perguntar sobre nós e sempre diríamos “somos amigos”, porque somos amigos e porque nós dois saberíamos o que eramos e tínhamos, não era preciso dar um nome ou explicar.
Chegaria o aniversario do seu pai e você me chamaria para o jantar em família. Eu conheceria seus tios, avós, primos e toda a parentada. Você me apresentaria como sua namorada e eu acharia engraçado. Mais uma vez me deixaria em casa e, antes que eu saísse do carro, você me abraçaria e diria apenas “obrigado”. E eu entenderia. Nós entenderíamos e seria sempre assim, sempre.
Você poderia ter ligado no dia seguinte e hoje nesse domingo chuvoso, eu ligaria e diria “quero te ver” ou qualquer coisa, mas soaria normal, porque seria normal. Seria.
É… Você poderia ter ligado no dia seguinte."
                                                     (Depois dos Quinze)

sábado, 14 de abril de 2012

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Chora.
Chora, menina!
Chora no chuveiro, no riacho, na chuva... Que é pra água levar a tristeza embora! 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

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Repito todos os dias, feito mantra: Sem metades. Sem mentiras. Sem meias verdades. Ser feliz por inteiro, primeiro!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Numa de minhas andanças pelo Youtube, encontrei essa música. Já ouvi muitas outras, mas essa ainda não conhecia, mas, achei linda e claro que viciei! Portanto, merece estar aqui.
E tenho que confessar que fiquei espantada com a sua mudança, de menina a mulher, em todos os sentidos. Rs Marcelo Camelo faria bem a qualquer pessoa! 

Lá vai, como de costume o vídeo e a letra da música.  



Velha e Louca- Mallu Magalhães

Pode falar que eu não ligo,
Agora, amigo,
Eu tô em outra,
Eu tô ficando velha,
Eu tô ficando louca.

Pode avisar que eu não vou,
Oh oh oh...
Eu tô na estrada,
Eu nunca sei da hora,
Eu nunca sei de nada.

Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.

Pode falar que eu nem ligo,
Agora eu sigo
O meu nariz,
Respiro fundo e canto
Mesmo que um tanto rouca.

Pode falar, não me importa
O que tenho de torta
Eu tenho de feliz,
Eu vou cambaleando
De perna bamba e solta.

Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.

Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.