quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Achados e perdidos

Aí vai um texto antigo, que achei perdido nas minhas coisas. Pude me lembrar exatamente em que momento estava e como eu estava me sentindo! Rs


Já fui Paula, Camila, Marcela, Carolina, Mariana, Luíza, Daniela.

Sei criar muito bem novos “eu's" quando não quero papo com algum cara irritante, em uma balada onde ninguém me conhece.  Ou até mesmo com meninas efusivas e com ar de falsidade.  Invento papos, amores antigos, não correspondidos. Já tive temperamento forte, não que eu não tenha realmente. Já fui fútil, a ponto de não me aguentar  Já fiz papel de bipolar e ri da cara do fulano por acreditar em tanta asneira. Já me desliguei do meu mundinho e me liguei a outro.  
Acho ótima a possibilidade de se desconectar com o que você realmente é. Inventar faz bem. Ou não. Voltar pro próprio mundo, do mesmo jeito que o deixamos é que é complicado e muitas vezes, vazio.
Onde eu quero chegar com esse papo todo? Aí, com você!
Engraçado, como sou eu o tempo todo ao seu lado. Como me esforço pra que me conheça. Pra que saiba que eu sou de verdade. Como vou. Estou.
 Mais engraçado ainda, é como eu me comporto, me porto, me importo.
Trágico-cômica é essa situação em que me encontro. Madrugada chuvosa, lá fora e aqui dentro, e eu , sentada, sozinha em meio a letras perdidas, pedindo pra serem transformadas em palavras de revolta.  No fim, eu me pego pensando que quem se importa de verdade, não precisa que você se esforce pra mostrar quem é.  Ela simplesmente te re-conhece.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Abre aspas



"Nem sempre querer é poder, porque às vezes a gente quer, mas ainda não pode. 
Ainda não consegue realizar. Não faz mal: a vontade que é legítima, alinhada com a alma, caminha conosco, paciente, fresca, bondosa, até que a gente possa. 
Às vezes, isso parece muito longe, mas é só o tempo do cultivo. 
As flores, como algumas vontades, também desabrocham somente quando conseguem." 
(Ana Jácomo)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Crônica



Depois da nossa última briga, você me disse que voltava. E eu te deixei sair por aquela porta, tão antiga quanto o nosso apartamento alugado. Você não voltou! Fugiu com tudo que era seu: meu sorriso e metade do meu coração esfolado!
Você podia ter me dito que tinha outra. Podia! Mas, não importa, porque eu senti todo esse tempo, desde que você voltou daquela última viagem, que eu não era mais a única pra você. Meu Deus, como eu pude me enganar assim? Fiquei cega e louca, logo eu que sempre fui tão sensata. Tentei salvar o que tinha restado de mim (de nós) em você.
Você me deu todos os sinais, eu sei. Mas, a gente tinha combinado ser sinceros um com o outro! Foi difícil pra você, não é?! Sempre foi.



Sete dias. Eu fiquei trancada nesse apartamento por sete dias.
Inventei uma doença contagiosa, um atestado pra uma semana, -favor daquela minha amiga médica, que você não suportava, lembrou dela?- me deu folga do trabalho. Isso porque eu adoro o jornalismo.

Eu chorei saudades e mágoas, tirei suas roupas do armário, lavei os lençóis e as suas fronhas (depois de passar mal uma madrugada, com o cheiro bom do seu perfume ). Me esvaziei de você. Entreguei pro porteiro, qualquer coisa que me remetesse a nós.
Deixei o meu regime de lado, comi brigadeiro todas as noites, acompanhada de bons filmes de comédia romântica. Que você por sinal, odiava!
Talvez eu tenha ficado sem tomar banho, por um dia ou dois. Não atendi o telefone. Minha mãe acaba de ligar pela trigésima quinta vez, nesta última ligação, ela deixou um recado seco (como todos os outros) dizendo que estava pegando um avião sem conexão pra cá. Já pode imaginar o quanto isso me deixou mais infeliz. Você sabe, ela não se preocupa comigo. Ela se preocupa com o nome da família e com aquela maldita entrevista que tenho daqui duas semanas, naquela revista de renome! Imaginei a sua cara de desprezo lendo isso agora.


Mas, eu precisava desse tempo. Eu precisava estar limpa e livre de você. Esquecer um relacionamento de 8 anos da noite pro dia, não é tarefa fácil.


Por que eu te escrevi essa carta? Ora, pra lhe agradecer.
Dois meses depois de você ter me deixado, eu recebi um telefonema da revista (sim, eu fiz a entrevista!) que você me disse que eu jamais conseguiria trabalhar, lembrou? E adivinhe quem é o meu chefe? Aquele bonitão da academia -que você dizia não ter cérebro.
Pois bem, estou ganhando um salário que você nem imagina quantos zeros têm. A carta que comecei naquele apartamento de três cômodos, termino hoje escrevendo no meu apartamento luxuoso, com um vestido lindo -tenho um encontro com o bonitão. Com um sorriso que nunca foi seu e com amor próprio.


Eu cresci. Bastou você sair por aquela porta. Você que era e pensava pequeno, por pouco, não quebrou minhas asas. Por sorte, uma outra apareceu na nossa vida. Que sorte a minha!
Não pense que escrevo esta carta como forma de vingança, você sabe, eu não faria isso... Escrevo esta carta pra enterrar de vez tudo o que aconteceu, pra deixar você de vez no passado, nas lembranças.
Escrevi pra lhe dizer, que tudo o que desejei aquela noite, -em pensamento- quando você me deu as costas, era mentira. Eu quero que você seja feliz.
Só assim, poderei te agradecer por ter me ensinado em tão pouco tempo, como é se sentir feliz pra sempre!