terça-feira, 14 de maio de 2013

Mais uma de amor



Um sorriso que engana. Jeito de menina. Uma pequena grande mulher. É, é isso. Minha pequenininha. Era assim que eu te chamava, você se lembra? Eu me lembro como se fosse hoje, quando lhe chamei assim pela primeira vez. Você riu, gargalhou, achou engraçado. Porque você não tava acostumada com esse tipo de atenção. Eu até entendo. Foi aquele cara maluco que te magoou e depois dele, você não se permitiu pra mais ninguém. Mas, eu confesso que achei que pudesse te mudar, ou melhor, fazer você acreditar que nem todos os caras vão te machucar. Engraçado que quem se machucou nessa história toda, fui eu.

Aquele dia no parque, um dia frio de inverno. Um céu sem nuvens. Só o sol. Você com os óculos escuros, deitada no meu colo. E eu me sentindo o cara mais sortudo do mundo. Você era o meu mundo. E você me  pedindo pra eu não me apaixonar! Eu te disse que tentaria. E você me fez prometer que eu não me apaixonaria. Logo eu, que cumpro todas as minhas promessas. Me desculpa, mas essa eu não consegui cumprir. 

Seu rosto iluminava a cada sorriso bobo que dava. E eu achava graça quando você sorria torto. Esquisita. Meiga. Toda linda. Toda minha. Bom, era o que eu achava. Ou melhor, era o que eu queria que fosse. 

Por que esse medo todo, menina? Me diz? Ah, se eu cruzasse o caminho do rapaz que te feriu assim, seria capaz de uma loucura. Como pôde te magoar? Você que é toda carinhosa, moleca risonha. 

Você me fez prometer que não mandaria mais cartas e muito menos flores. Me fez prometer que nunca mais eu te procuraria. Tudo isso porque eu disse que gostava de você. Olha só como é o destino. Desalinha a vida da gente. E se eu não tivesse dito? Talvez eu não estivesse escrevendo esse texto sem pé nem cabeça e a gente estivesse tomando um sorvete juntos agora. Talvez. Você é essa caixa de surpresas. Boas e ruins. Ruim foi ter que te deixar. Com os olhos marejados e o coração nas mãos. Nas suas mãos.

Quem sabe um dia você se cure desse medo todo de ser feliz. Esquisita. Medo de ser feliz, acredita? Quem sabe eu ainda não esteja te esperando. Quem sabe você perde o medo dos pronomes e seja minha. Por inteiro e sem medo.

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Mesmo com essa loucura toda que está a minha vida, posso dizer com todas as letras: tudo passa. As más e as boas fases.
Acho que estou feliz. Em partes.
Quando a gente tem certeza, mesmo que seja certeza do que a gente não quer, as coisas se acalmam, o coração aquieta. A poeira abaixa e a gente consegue enxergar tudo. Ou, quase tudo.