Eu nem sei como começo e muito menos como vou terminar, digo, a carta...
Decidi escrever essa carta, porque você sabe, às vezes sou melhor com papel e caneta que com as pessoas. Quero que você se lembre de cada detalhe dessa nossa futura conversa, por isso a carta. Eu provavelmente a vá ler mil vezes, pra não esquecer de lhe falar nada. Sabe, eu acho que você ainda é um menino (no bom sentido) e que merece viver muita coisa ainda. Conheça pessoas novas, saia de casa com o seu melhor amigo. E por favor, divirta-se.
Você sabe que ando sem tempo e você já até me cobrou tempo. As coisas tendem a piorar, não é a coisa mais fácil do mundo estar no último ano de faculdade. Logo menos, serei a mais novo formada-desempregada da Terra. E tem noção do quanto tudo isso me pesa? Sou perfeccionista. Descobri isso esse ano. Se eu não puder fazer algo da melhor maneira possível, então nem faço. Sinto que a nossa relação recente e ao mesmo tempo tão antiga, não está tendo a dedicação que merece. Possivelmente, nem terá.
Amor e paixão. São coisas diferentes, você sabia? Provavelmente, não. E precisa descobrir isso. Me conte depois. Eu te conto: já amei. Como sei? Porque nunca mais um 25 de março passou em branco sem que eu me lembrasse dele. Eu sei que é amor, porque ficou. E porque a gente decidiu de um jeito lindo e doce que mesmo nos amando, não dava mais. Doeu, é claro. Não vou mentir. Mas, passou. Só me lembro dele em dias 25 de março.
Já me apaixonei. Paixão é pele, é loucura. E quando terminamos, de um jeito insensível, achei que fosse morrer. Paixão é exagerar, sabe? Quase entrei numa depressão, sentindo o cheiro dele em todo lugar que eu fosse. Escrevi mil frases na parede do quarto, pra sentir tudo de uma vez, rápido, rápido, rápido. E passou.
Uma vez, pensei que estava amando o meu melhor amigo. E por Deus, era recíproco. Saímos. E olha só, depois do primeiro beijo, nos olhamos nos olhos e rimos. Confundimos. Mas, tentamos. Tiramos da cisma. Ele me rendeu um texto bacana. E uma amizade linda até hoje. Uns mil anos depois.
Me lembro que ficou bravo quando eu disse que seríamos uma tentativa. Menino, qualquer relacionamento no mundo, seja ele uma amizade ou um namoro, não passa de uma tentativa. Cinquenta por cento para cada lado. Um sim e um não. Pode dar certo pro resto da vida, por um ano, um mês ou uma semana. Como pode não dar, entende?
Tô feliz por nós. Merecíamos tentar. Só eu e você. Sem ninguém por perto. E foi assim, não é? Foi bom. De verdade. Fui feliz e você?
Quero que você seja feliz.
E imagino que esteja sentindo uma raivinha, mas, por favor, deixa passar...
Eu não vou falar pela quinquagésima terceira vez que eu quero muito a sua amizade. Não pense que tá sendo fácil pra mim. Nunca é. Pro terminante e pro terminado (como diz num livro que estou lendo). Você diz que aprende muito comigo. Espero que eu tenha te ensinado muita coisa. Assim como sem querer você me ensinou.
Quero que você seja feliz.
Da última vez, eu não quis falar nada pra ninguém, mas, parece que todos tinham algo pra me falar. Espero que dessa vez, você tenha plena consciência de que tentamos e deu certo. Por um tempo, mas deu. E que quando as pessoas te perguntarem, você saiba com clareza o que responder.
Enfim, acho que você me ensinou a gostar. Mas, acabei descobrindo que gostar só não basta. E que não tô preparada pra amar, isso é uma pena... Você se encaixaria em cada parte do que acredito ser amor. Talvez, eu um dia esteja preparada. Reze por mim! Risos.
Que você e eu sejamos felizes. Todos os dias que pudermos. Que você saiba que estarei aqui pra tudo o que precisar. Se depender de mim, seremos amigos por muito tempo ainda.
Fica com Deus.
Um beijo de quem te gosta muito.
